Do agro viemos, do agro vivemos e pelo agro sobreviveremos

agronegocio2por Evaldo Martins*

Essa imagem me fez refletir sobre esse período que estamos passando, especialmente sob a perspectiva do produtor rural. A imagem traz um leiteiro trabalhando em uma rua de Londres, devastada durante um bombardeio alemão (1940). Provavelmente você, assim como eu, associou essa imagem ao atual momento. O produtor rural brasileiro, apesar de todas as dificuldades, continua entregando o leite. Óbvio, segue equilibrando o balde com muito autocontrole para não deixar o leite derramar.

Sim, exige-se muita austeridade para seguir de cabeça erguida e firme para enfrentar a falta de infraestrutura, legislação tributária complexa, dificuldades de mão de obra, instabilidade econômica, insegurança jurídica, alterações legislativas abruptas, juros abusivos de crédito, intempéries climáticas e as inúmeras críticas infundadas.

Realmente não está fácil para ninguém. Esse adágio não poderia ser mais bem atualizado nos dias de hoje, diante desta desordem mundial.

Estamos vivendo uma crise sem precedentes, com efeitos mais acelerados e violentos do que em outros períodos graves na história.

Leitiero-Londres

E quem poderá nos salvar? Mais uma vez, o agronegócio!

De fato, o agronegócio é a indústria-riqueza do Brasil. É tech, é pop e é tudo.

Só não estamos falidos, porque um quarto do PIB vem do campo e, aproximadamente, metade das exportações são produtos agrícolas, o que coloca o agronegócio como protagonista da economia nacional.

E não para por aí, as exportações só crescem, impacto positivo no PIB, movimentações nos insumos, geração de empregos (um a cada três empregos gerados no País vem do agro), o que contribuirá para a redução dos mais de 12,7 milhões de desempregados atualmente. Aqui cabe outra reflexão: e se não tivéssemos o campo para conter nosso desemprego?

Portanto, torça para o agro, torça para o Brasil e torça para você.

Assimilações errôneas ligando o agro a catástrofes ambientais e desmatamentos, precisam parar de uma vez por todas. É necessária uma desmistificação do tema, atrelada ao aprofundamento do conhecimento sobre o assunto (normas, estudos, estatísticas, resultados etc.), e o momento em questão nunca foi tão propício.

Com a paralisação da maioria das atividades devido à pandemia, houve a diminuição da poluição em todo o mundo e ao mesmo tempo o agronegócio cresceu exponencialmente. Ressaltando que em nenhum momento os produtores “pararam”. Pelo contrário, mesmo diante desse cenário, tem trabalhado arduamente para garantir o abastecimento dos gêneros de primeira necessidade para a população e viabilizado o subsídio para produção de diversos outros insumos imprescindíveis para o enfrentamento desta crise humanitária (não esqueçamos, por exemplo, que o álcool provém da produção de cana-de-açúcar).

Logo, é fácil concluir que não há uma relação direta entre os grandes problemas ambientais e o desenvolvimento do agronegócio.

Será mesmo que Luís Fernando Veríssimo tinha razão em dizer que “quando escrevem a história da nossa geração, não duvide, é da bomba de Hiroshima que falarão, e não dos nossos belos olhos”?

Será que, diante de todos argumentos, provas e lições que o agro nos mostra, continuaremos a falar mal daquele que nos sustenta e nos deixa na esperança de dias melhores?

Tomara que Veríssimo esteja errado e que os críticos entendam que uma vida minimamente digna é proporcionada pelo agronegócio. O agro não para e nem pode parar.

evaldo*Evaldo Martins é presidente da Comissão de Direito Agrário e Agronegócios da OAB-PI, Graduado pelo Instituto de Ciências Jurídicas e Sociais Professor Camilo Filho, Pós-graduado em Direito Civil e Empresarial, Pós-graduado em Direito Eleitoral, Pós-graduado em Direito Negocial e Imobiliário com ênfase em Direito Agrário e Agronegócio, Mestrando em Resolução de Conflitos e Mediação. e-mail: evaldomartins@martinsesilva.com

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 1- GASQUES, José Garcia; REZENDE, Gervásio Castro de; Carlos Monteiro Villa; SALERNO, Mario Sergio; CONCEIÇÃO, Júnia Cristina P.R da; CARVALHO, João Carlos de Souza. DESEMPENHO E CRESCIMENTO DO AGRONEGÓCIO NO BRASIL. Brasília: IPEA.

2- https://www.empiricus.com.br/

3- VERISSIMO, LUIS FERNANDO. Ver!ssimas: frases, reflexões e sacadas sobre quase tudo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2016.

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